Inflação subindo há 16 meses bate maior patamar desde maio de 2016

A inflação vem acelerando de forma insistente desde maio de 2020, chegando a quase 10% em 12 meses. Ela corrói a renda das famílias e reduz seu poder de compra, tornando mais difícil a vida dos brasileiros. Até quando os preços vão continuar subindo? Economistas ouvidos pela equipe do BA-001 dizem que a perspectiva é a inflação desacelerar, mas isso depende de uma série de fatores. Além disso, mesmo que as previsões se confirmem, isso não quer dizer que os preços de produtos e serviços do dia a dia das pessoas vão cair. A tendência é que eles apenas subam menos ou, no melhor dos cenários, se estabilizem no atuar patamar.

As exceções, destacam economistas, são produtos cujos preços variam muito, por questões climáticas, por exemplo, caso de alimentos perecíveis. Eles, sim, podem ficar mais baratos após subirem e atingirem um pico. Mas para a grande maioria dos produtos e mesmo serviços, os preços só caem quando o PIB (Produto Interno Bruto) encolhe e a economia entra em recessão. Aí acontece o contrário da inflação, a deflação. Veja abaixo por que a inflação está acelerando e o que especialistas projetam para os preços.

As principais causas da inflação atual são

Dólar: A alta da moeda encarece produtos importados, insumos usados na produção nacional e itens que tem seu preço definido no mercado internacional, como os combustíveis. O dólar é vendido hoje acima de R$ 5,30, mas deveria estar na casa de R$ 4,70 se fossem considerados apenas os fundamentos da economia brasileira, nas contas do economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo.

Energia: A crise hídrica levou o governo a acionar, desde o final de 2020, as usinas térmicas, mais caras que as hidrelétricas. Desde então, a situação só piorou. Como energia também entra na lista de custos da ampla maioria das atividades econômicas, a conta de luz mais cara também acelera a inflação. A energia elétrica aumentou 21,1% em 12 meses no país.

Alimentos: Eles já estavam subindo por causa do dólar e dos combustíveis e sofreram ainda o impacto das geadas, que afetaram a produção. Na média, os alimentos subiram 16,6% em 12 meses, mas há itens que aumentaram bem mais, como óleo de soja (67,7%), feijão-fradinho (40,3%), arroz (32,7%) e carnes (30,8%).

Expectativa é inflação desacelerar a partir de outubro A inflação vai fechar este ano em 8,35% e encerrar 2022 em 4,1%, segundo projeções de economistas de mais de cem instituições financeiras e consultorias apuradas pelo Boletim Focus, do Banco Central. Para que esses cenários aconteçam, precisa diminuir já em outubro o ritmo de alta de dólar, combustíveis, energia e alimentos. O economista e especialista em setor bancário Roberto Troster vê espaço para que a inflação comece a ceder no mês que vem, mas alerta que o mercado vem errando nas apostas.

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